Se eu dirigisse uma editora, seria fantástico ter que fazer apenas um livro didático único para cada matéria numa soa língua e para toda a Espanha. Gastaria menos em fazer manuais escolares e ganharia muito mais dinheiro. E se eu fosse um político ou um jornalista espanholista aproveitaria esse sonho húmido das editoras para conseguir mais centralismo educativo. E nessas estamos: as editoras difundem por acaso um informe no início do curso onde oferecem manchetes fáceis e poucos argumentos educativos a uma classe politico-mediática madrilena ansiosa por acumular ainda mais recursos humanos e materiais, mais dinheiro e, afinal, mais poder.

Acho que porem de escusa os transtornos escolares das crianças que mudam de “região” é miserável. E as crianças que venhem doutros países? Segundo o IGE, em 2018 chegárom à Galiza pouco mais de 2400 crianças (<16 anos) doutros territórios da Espanha e quase 4000 doutros países. E, por último, as necessidades educativas específicas das comunidades locais já não são importantes? O que é realmente importante então?

Não deveríamos esquecer que as editoras não são instituições imparciais que priorizam as necessidades educativas das comunidades ou das famílias sobre os interesses empresariais. São empresas privadas que prestam em geral um serviço eficaz às escolas, certo, mas com um objetivo principal claro: ganhar o máximo de dinheiro optimizando o máximo de recursos. Cuidado, não estou a dizer que isto seja necessariamente mau, mas é disso que trata realmente este debate: de obter benefícios, de capitalismo, de política territorial, não dos supostos transtornos das crianças e as suas familias.