Parece que muitas escolas galegas jogárom a toalha ao chão na hora de ensinar o galego como língua instrumental. É esta a impressão que tenho, sinceramente. No meu trabalho na Faculdade de Ciências da Educação e do Desporto tenho contacto direto cos centros de educação infantil e primária de muitas formas, especialmente através dos programas de práticas e da supervisão de trabalhos de fim de grao e de mestrado. O que percebemos (não sou apenas eu) é que boa parte do professorado de educação infantil e primária parece ter desistido do desafio de ensinar galego no contexto atual, onde a maioria do alunado já não é galego-falante nativo e quase não tem contacto coa língua na casa.
Além disso, o próprio professorado muitas vezes tampouco tem boas competências em galego ou uma ligação estreita coa cultura galega. Por cima, os dados que conhecemos são já chocantes e revelam que cerca de 75% das escolas infantis na Galiza não ensinam língua galega. E aproximadamente a metade apenas cultura: o magosto, o apalpador, o entroido, os maios…
Varias professores e professoras da faculdade decidimos não ficar parados diante desta situação. Após refletirmos por algum tempo, propugemos um projeto de inovação didática para explorar novas metodologias no ensino do galego na educação infantil e primária. O objetivo inicial era que o nosso alunado, futuro professorado de galego nas escolas, conhecesse metodologias efetivas para ensinar esta língua de forma ativa.
Optámos inicialmente pola TPR (Total Physical Response) e tivemos a sorte de que o projeto nos fosse concedido. De facto, isto criou algum burburinho e até fomos contactados polos alguns meios de comunicação. Entre as diferentes atividades programadas no projeto incluímos sessões práticas desta metodologia TPR co alunado da nossa Faculdade. Porém, pensámos que não era suficiente e pensámos em organizar um workshop prático onde o alunado pudesse conhecer um profissional com experiência no terreno que lhe monstrasse estratégias ativas para ensinarem galego através do movimento, dos jogos, das histórias e da música.
Foi então que imediatamente pensámos em Carlos Yus, docente de galego e membro do Migallas Teatro, uma companhia com ampla e reconhecida experiência na dinamização da língua e cultura para o público infantil. Yus é ainda responsável por diferentes atividades de dinamização linguística coas famílias galegofalantes no Município de Pontevedra. Sem dúvida, era a pessoa ideal – e não nos enganámos. A solução ao problema do ensino do galego não vem apenas de inovações na metodologia docente, mas também dum lugar talvez inesperado: das e dos artistas que contam de histórias e fam músicas fora dos circuitos académicos convencionais.
Nas duas sessões deste workshop o nosso alunado descobriu que pode ser mais do que professorado instrutor: pode ser professorado criador de experiências lingüísticas significativas. As canções, os contos, as rimas, os jogos e todos os recursos que lhe monstrou o Carlos Yus abriram novas janelas de possibilidades para reimaginar o ensino da língua como um processo vivo e participativo.





O feedback do alunado foi absolutamente surpreendente. Participárom em massa no workshop e a recetividade foi tremendamente positiva. A maioria manifestou que não só tinha gostado da experiência, mas que a repetiria sem duvidar. Muitas pessoas destacaram como as propostas de Yus as tinham feito ver o ensino do galego duma forma completamente diferente – mais dinâmica e mais factível.
Sabemos bem que as mudanças nas escolas são geralmente lentas. Mas precisamente por isso, o trabalho de irmos plantando sementes é tão importante. Cada pequena iniciativa, cada projeto de inovação, cada momento em que formamos o futuro professorado com metodologias ativas e criativas, é um passo fundamental para garantirmos que estes câmbios não fiquem apenas no papel ou no plano experimental. Se não podemos revolucionar todo de imediato, ao menos podemos assentar os alicerces duma nova forma de entender o ensino do galego: mais ativa, mais experiencial, mais significativa.