Que podemos encontrar da França numa pequena capital galega de província como Pontevedra? A priori, parece que não muito. Talvez o elemento mais visível seja o monumento aos Hérores de Ponte Sampaio, situado no centro da cidade, mesmo em frente à casa do Concelho. Trata-se duma celebração da vitória militar do povo galego sobre as tropas napoleónicas na famosa batalha de junho de 1809.

Este tipo de comemorações da vitória sobre os franceses são bem conhecidas na Galiza, na forma de festas como a da Reconquista, em Vigo, ou de recriações como a da Batalha de Casal de Eirigo, em Valga. No entanto, apesar de a França ter perdido a guerra militar na Galiza e na Europa, a sua vitória cultural durante o século XIX é indiscutível e Pontevedra está cheia de elementos que o testemunham. Precisamente, para recuperar este importante legado cultural da França na minha cidade, concebim uma visita guiada para as minhas alunas da matéria de Língua e Cultura Francesas, do programa sénior da Universidade de Vigo.

No passado dia 6 de junho, figemos a nossa primeira visita, co objetivo de a repetir em cursos futuros. O bom tempo acompanhou-nos durante a visita de pouco mais duma hora. Começou em frente ao edifício Sarmiento e terminou na Praça de Espanha. Durante a visita, foi impossível não evocar as cenas da ocupação francesa da cidade e os acontecimentos violentos que tivérom lugar, como o cruel fuzilamento na Praça do Teucro. Mas foi surpreendente descobrir a influência francesa posterior na arquitetura da cidade, desde o edifício Varela até o conjunto da alameda, a casa do Concelho e o palácio da Deputação provincial. De facto, todos os esforços de Alejandro Sesmero para tornar Pontevedra numa capital de província fôrom no sentido de imitar os edifícios e espaços públicos duma capital departamental francesa. Não foi em vão que a divisão provincial espanhola se inspirou diretamente na divisão departamental francesa, surgida coa Revolução de 1789.

Mas polo caminho descobrimos diferentes palácios burgueses e nobres, como a casa dos Muruais ou o palácio das Mendoza, de onde a cultura francesa irradiava coa celebração de tertúlias e concertos. Detemo-nos também na estátua do papagaio Ravachol, um dos emblemas da cidade, que tem o nome dum famoso anarquista francês. E, claro, descobrimos as famosas fontes de ferro fundido importadas de França e colocadas em diferentes partes da cidade velha.

Acabámos no Café Moderno, na Praça de São José, no melhor exemplo de Art Nouveau da cidade, a falar precisamente desta vitória poética gaulesa e do pouco que se sabe sobre o legado cultural de França na cidade, apesar da sua importância. Este petit café partilhado deu-me a oportunidade de obter o feedback das alunas, que foi realmente positivo. Esperamos repetir então esta atividade em cursos futuros ou com grupos doutros estabelecimentos de ensino que demonstrem interesse.